"Um órgão a mais ou a menos em nossa máquina teria feito de nós outra inteligência" Montesquieu"
"Enganamo-nos, pois, julgando o Conhecido, e estamos cercados pelo Desconhecido inexplorado" Guy de Maupassant
"O que sabemos é uma gota eo que ignoramos é um oceano" Isaac Newtonn
Estava eu relendo meu livrinho do Maupassant, que está "em um pedestal" para mim assim como Os Sofrimentos do Jovem Werther e li o conto "Carta de um louco".
No conto, o tal louco começa a refletir sobre as coisas das quais não podemos saber se existem ou não, nossas limitações e nossa capacidade de julgar. Um ótimo exemplo do que ele estava tentando mostrar:
Nós, seres humanos, somos capazes de produzir música. Mas apenas somos capazes disso pq possuímos a audição, caso não tivéssemos a capacidade de ouvir, não teríamos ciência da existência da música.
Então, quantas coisas não temos ciência pq não possuímos os órgãos necessários para tal? Se tivéssemos um órgão a menos, a capacidade de ver, por exemplo, não teríamos ciência das cores. Há animais que tem a capacidade de ver cores que nós não conseguimos.
Tudo que é muito grande, escapa da nossa visão, assim como tudo que é muito pequeno, só conseguimos ver aquilo que tem tamanho mediano, isso em relação a nós mesmos.
São os nossos órgãos que determinam as propriedades aparentes da matéria. E se possuíssemos outros órgãos? Algo que nem imaginamos, pq afinal de contas não possuímos. Quantos segredos seriam revelados, ou quantas coisas inventaríamos?
Maupassant, em seu famoso e genial conto "o Horla" nos mostra a existência de um ser superior ao ser humano. Esse ser o olho humano não consegue ver, não possui a capacidade, mas ele existe. Recomendo esse conto a qualquer um, existem duas versões: uma onde o conto se dá por escritos de um diário, e outro que é descrito pelo próprio homem perturbado. Ambos são muito bons. E Maupassant, depois de Goethe e Nietzsche, está entre meus autores preferidos.
Se sou agnóstica e cética para maioria das coisas, é pq não acho que tenhamos a capacidade de julgar certos conceitos. Quem sou eu, por exemplo, para dizer se existe ou não alma, plano espiritual, ou uma outra lei que nos rege? Talvez apenas não possuímos a capacidade de entender tais coisas. E se sou tudo que sou e penso tudo que penso, é graças a Goethe, Nietzsche, Schopenhauer, Maupassant, e muitos outros autores que contribuiram para que eu seguisse certos preceitos.
Por isso recomendo a todos lerem livros, mas não qualquer livro, algo de qualidade, que você realmente ache seu coração naquele autor.
"Se tu olhares, durante muito tempo, para dentro de um abismo, o abismo também olha para dentro de ti".
ResponderExcluir"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras".