terça-feira, 18 de maio de 2010

Sobre a solidão



“Minha solidão nada tem a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem verdadeiramente me oferecer companhia….”
Friedrich Nietzsche


Quem já sentiu o infortúnio (ou não) da solidão? Ainda assim, me parece que a questão não é essa. Quem, junto de todas as pessoas que convivemos diariamente, se sentiu em real companhia?
Há uma constatação baseada nada mais que apenas observação: todos os seres humanos se sentem sozinhos, todos os quase sete bilhões de seres humanos.
Nós falamos sozinhos, como uma conversa com o eu interior, pois ninguém é melhor nosso amigo do que nós mesmos.
Um amigo, um namorado, um marido. Trazem-nos real companhia? No fundo não é apenas você com você mesmo? Tendo que confiar em cada palavra que diz a si mesmo. Com nossas decepções e frustrações. Em cada momento deixando restos de segredos que gostaríamos de contar. Depositando nos próprios ombros as emoções, boas ou ruins.
E mesmo naqueles momentos mais felizes, onde encontramos a real companhia que gostaríamos de estar, quando parece que outra pessoa vê através de você, ainda assim nesses momentos estamos sós. Pois nossos pensamentos só a nós pertencem, assim como nossos corações. No final é confiar em nós mesmos, todo o tempo.
Os seres humanos são seres sociáveis, necessitam ser. Foram evoluindo em grupo. Mas somos dotados de consciência, com um individualismo que cada vez mais foi crescendo. Um sentimento, uma necessidade de ser diferente e ao mesmo tempo ter que se encaixar com as outras pessoas. Fazemos e falamos coisas porque assim foi solicitado, porque assim estamos agindo de acordo com a ética, com a boa moral. Eu não sei em qual momento deixamos de pensar em “nós” para pensarmos em “eu”. Talvez, creio eu, desde que começamos a pensar.

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